Bruno Buccolo

Como bater palmas direito? e o World Usability Day

O World Usability Day começou com workshops, optei pelo de “Apreensibilidade de Informações Textuais” por Stefan Martins. Acho interessante essa relação Humano-Texto, principalmente porque texto é interface também. Tanto pela ótica da legibilidade por conta da tipografia, quanto pelo lado da apreensibilidade, uma vez que descobri que os surdos tem dificuldade para ler. Sim, eles conseguem ver, mas muitas vezes não sabem o português, afinal LIBRAS também é uma língua oficial no Brasil.

O workshop (com uma boa dose de work) defendeu o papel da apreensibilidade no contexto da usabilidade. Aprendemos técnicas para estimar a complexidade de um texto, assim é possível determinar a dificuldade para se compreender um determinado texto.

Seguindo com o evento, tivemos o painel “Projetando para todos” com a participação de MAQ (Bengala Legal), Carla Mauch (Mais Diferenças) e Neivaldo Zovico (Acessibilidade para Surdos). Toda vez que vejo uma discussão inclusiva tenho o presentimento que acessibilidade irá bombar fortemente em breve.

"O igual e homogêneo empobrece". Foto por @elisavolpato. A Carla falou muito sobre as adaptações que fazemos para acessibilizar os sistemas, quando na verdade acessibilidade deveria estar no escopo ogirinal do projeto. Essa dor é parecida com a da usabilidade, quando temos a chance de entrar no projeto apenas no final e temos que remendar o que for possível.

O Nivaldo, que é surdo, se apresentou e passou os seus slides, mostrando algumas dificuldades que o surdo enfrenta. A Carla espontaneamente fez a audiodescrição para o MAQ, que é cego. É disso que estou falando.

Ao terminar, aplaudimos por meio segundo até que a intérprete nos mostrou como os surdos batem palmas e nós o fizemos. No entanto, percebi que o participante cego estava sendo excluído. Precisávamos de uma forma inclusiva de bater palmas.

Você acha que sabe bater palmas, mas não sabe.

No centro temos o modo comum, a pessoa batendo palmas com as mãos próximas ao colo, que os surdos não escutam. À esquerda temos a palma para surdos, na qual levantamos os braços e então giramos as mãos freneticamente, que os cegos não veem.

Por fim apresento-lhes a palma inclusiva, que os cegos conseguem ouvir e os surdos conseguem ver. Basta bater palmas com os braços levantados, como em shows quando o artista mandou muito bem. Esse é o jeito correto de bater palmas.

Nem bater palmas nós fazemos inclusivamente…

Divagações à parte, o evento foi muito bom.

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