Bruno Buccolo

FILE 2011 Arte Eletrônica & Futurismo

FILE 2011

O FILE é o maior festival de arte eletrônica do país. São expostas instalações, muitas vezes interativas, que combinam diversas mídias para fazer algo totalmente inesperado. Para quem está cansado de ir à museus para ver tinta, o FILE é uma ótima pedida. Se você trabalha com tecnologia, vale muito a pena ver o que a galera faz com o nosso arroz e feijão.

A exposição vai até 21/08 no Centro Cultural FIESP em São Paulo e a entrada é franca. Maiores informações: Festival Internacional de Linguagem Eletrônica - 2011

A função que mais me interessa na arte eletrônica é a de propor futuros. Isso mesmo. Os artistas conseguem simular diversas situações, que ainda não estão por aí por questões técnicas. Com isso, nos alertam sobre o futuro que podemos ter.

The future is already here — it’s just not very distributed yet. William Gibson, escritor de Neuromancer, que inspirou o filme Matrix.

Veja algumas das atrações desse ano:

Face to Facebook

Face to Facebook

Site: http://www.face-to-facebook.net

O Face to Facebook foi uma das peças mais controversas de arte eletrônica. Os criadores varreram 1 milhão de perfis do Facebook, e com a ajuda de inteligência artificial (pca / redes neurais) classificaram as pessoas em simpaticas, divertidas, extrovertidas e etc.. Tudo isso com as informações públicas dos perfis.

Aproveitando essa classificação, eles colocaram online um servico de encontros (como o parperfeito.com por exemplo), usando 250 mil dos perfis que eles tinham varrido, obviamente sem pedir permissão a ninguém.

Claro que ninguém gostou quando pessoas da internet tentaram marcar encontros com as pessoas do site. Mesmo assim, os artistas defendem a tese de que estamos nos expondo demais. Nos avisando que quando publicamos algo, estamos publicando para o mundo inteiro. Quando você sorri na sua foto de perfil, você está sorrindo para o facebook inteiro.

Link

Site: http://www.kimchiandchips.com/link.php

Link propõe uma espécie de memória coletiva da exposição. Cada participante pode gravar até 4 segundos de vídeo, que será então exibido numa cidade de caixas de papelão. Gostei dessa obra porque ela depende diretamente da interação dos participantes, sem isso ela não existe.

O resultado é bem interessante e efêmero, quando um novo vídeo chega, o mais antigo sai. Imagina ter um pequeno vídeo de todas as pessoas que passaram pela sua faculdade ou que moraram na sua casa.

Algorithmic Search for Love

Site: http://palacz.at/algorithmic-search-for-love/

E se o Google pudesse buscar dentro do conteúdo dos filmes, as falas e as cenas deles? Conheça o Algorithmic Search for Love. Quando você busca por “eu te amo”, a instalação exibe varias cenas em que os personagens estão dizendo ou manifestando a palavra-chave. Essas tecnologias que indexam o universo são meio assustadoras, mas a aplicação nesse contexto era ao menos divertida e inocente. 

Movie Mirrors

Site: http://www.alimiharbi.com/work/movie-mirrors/

Talvez uma das instalações mais engajantes do FILE desse ano. A princípio parecia apenas uma TV desligada, mas quando se passava na frente da tela, um barulho de TV sintonizando captava sua atenção. Automaticamente você pára e então seu rosto é exibido na tela por um tempo suficiente para identificação. Daí são exibidas diversas cenas de cinema em que o personagem principal está com o rosto do mesmo jeito que você. A proposta é que você se identifique e se relacione com o personagem do filme.

Body Hack

Site: http://www.body-hack.com/

Aproveitando a show-de-bolice das interfaces naturais de usuário (NUI), Body Hack nos oferece a participação em filmes e coreografias de clipes. É como se fosse um karaokê, mas ao invés de cantar de acordo com a letra, você tem que posicionar seu corpo de acordo com o indicado. Sucesso entre as mulhers. Nós homens somos machos demais para ficar se contorcendo, tentando dançar como a Britney Spears. Ou não.

Imagino que abordagens semelhantes possam ser usadas para treinar atletas, dançarinos ou qualquer outra prática que precise de execução de movimentos de forma precisa.

Para terminar, um trecho do ensaio The Poet and the Computer.

The question persists and indeed grows whether the computer makes it easier or harder for human beings to know who they really are, to identify their real problems, to respond more fully to beauty, to place adequate value on life, and to make their world safer than it is now. Norman Cousins (1966)

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