Bruno Buccolo

O que esperar do Android?

Há um mês venho testando o Android. Este post reúne as impressões que tive até então.

O Android é um sistema operacional livre de celulares. Isso permite que cada fabricante de celular personalize pesadamente o ambiente e por consequência a experiência de usuário, o que em geral é ruim. Essas empresas simplesmente parece que não sabem o que estão fazendo.

O Motorola Defy que estou usando vem com o MotoBlur, um software que deixa seu celular integradíssimo com as redes sociais. Apesar de não gostar de sua aparência, imagino que seja interessante para os usuários que fazem questão de estar conectados o tempo todo, o que não é o meu caso. Conversando com alguns amigos, o primeiro conselho que recebi foi instalar o Cyanogen, uma atualização caseira para o Android. Assim estaria livre do MotoBlur, que é bem desprezado em geral! Para escrever esse post, queria ter uma experiência mais próxima do consumidor, portanto considerei essa modificação como avançada demais.

Go Launcher Ex

Segui instalando o Go Launcher Ex, um programa que substitui a tela inicial e o menu principal. Melhorou bastante a minha experiência, por ter uma tela mais agradável e menu mais inteligente. Aqui a engenharia de software do Android brilhou. No entanto, penso que se o menu e a tela inicial fossem bons direto de fábrica, essa engenharia não seria necessária.

Cadê o iTunes? Senti falta de um aplicativo para gerenciar as músicas. Não estamos mais em 2001 para ficar arrastando arquivos para o cartão de memória. Achei o AirSync. Software muito bom para fazer o sincronismo de fotos, vídeos e música. A melhor parte é que ele se integra com o iTunes, e conseguiu achar minhas playlists. O sync é feito pelo Wifi. Show.

Sempre fui um fã de Widgets. Adicionei alguns à minha Home Screen, como o do Evernote, DoubleTwist, Wunderlist, Twitter entre outros. Ter algumas informações na Home Screen é ótimo para fácil acesso. Mas notei que não há guias de design, por isso cada widget é de um tamanho diferente e não há identidade visual. O resultado é uma tela horrível! Imagino que se houvesse uma consistência visual o resultado seria muito melhor.

O MotoBlur trouxe consigo o Swype (e várias outras porcarias como Yahoo! Search). O Swype é uma tentativa fracassada de facilitar a entrada de dados por teclado. O teclado fica visualmente cheio e o Swype é disparado por acidente várias vezes. Notem a popularidade da busca “remove swype” no Google.

Por outro lado, o Google Maps Navigation funciona incrívelmente bem! O que mais gosto é ter informações sobre o trânsito na sua rota, assim você pode até mudar de caminho se for o caso. Em São Paulo isso é especialmente útil. Lembrando que ele já vem instalado gratuitamente, o Android substitui a maioria dos GPSs de carro tranquilamente. No iPhone tive que comprar o TomTom Brasil, desembolsando aproximadamente R$80,00.

O Motorola já veio com um carregador do carro. Apesar de grato pelo presentinho surpresa, não deixo de pensar que o carregador é feio. Aproveitando o embalo, os fones de ouvido vem em saquinhos zip-lock. Para quem está acostumado com os mimos que a Apple proporciona, isso é quase uma ofensa.

Em geral o Android é um bom sistema que satisfaz as necessidades de um usuário comum a um preço mais acessível. Tem notas de Microsoft ao oferecer um software só para diversos hardwares. Todos os fabricantes tentam fazer uma modificação superficial só para chamar de seu. É possível notar traços de software livre também, telas e mais telas de opções ao invés de uma abordagem clara de design. Tenho muita vontade de testar o Android 4. Espero encontrar soluções para os pequenos problemas de usabilidade encontrados no Android. Se temos um software livre em mãos, por que não copiar parte da interface de quem sabe fazer, como a Apple?

© 2011– Bruno Buccolo (@buccolo) | Made in São Paulo ☂